Cirurgia de nariz e palato em Pugs

Pug respirando confortavelmente após cirurgia de nariz e palato
Pug respirando tranquilo após correção cirúrgica do nariz e do palato.

Os Pugs são carismáticos, afetuosos e companheiros. No entanto, por terem o focinho curto, eles podem apresentar dificuldades respiratórias típicas dos braquicefálicos. Por isso, a cirurgia de nariz e palato surge, em muitos casos, como uma solução eficaz. A seguir, você descobrirá, em linguagem direta, quando indicar, como é feita e como cuidar do seu Pug no pós-operatório.

O que é a Síndrome Braquicefálica (BOAS)?

Antes de mais nada, é importante entender o contexto. A Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas em Braquicefálicos (BOAS) reúne alterações anatômicas que dificultam a passagem do ar. Em Pugs, as mais comuns são:

  • Estenose de narinas: as aberturas nasais são estreitas.
  • Palato mole alongado: o “céu da boca” é mais comprido e vibra, obstruindo a via aérea.
  • Saco laríngeo evertido e hipoplasia de traqueia podem aparecer em alguns cães.

Como resultado, o Pug ronca, cansa rápido e, muitas vezes, sofre com calor. Assim, corrigir o nariz e o palato pode reduzir a resistência ao fluxo de ar e, portanto, melhorar a qualidade de vida.

Quando considerar a cirurgia?

De modo geral, a avaliação é individual. Entretanto, sinais que costumam motivar a indicação incluem:

  • Roncos intensos, mesmo em repouso;
  • Respiração ruidosa ou esforço para inspirar;
  • Intolerância ao exercício e fadiga fácil;
  • Salivação excessiva, engasgos ou vômitos frequentes;
  • Crises de heat stress (estresse térmico), principalmente no verão;
  • Infecções respiratórias recorrentes.

Se o seu Pug apresenta um ou mais desses sintomas, converse com o veterinário. Afinal, quanto antes a correção é feita, menor costuma ser o impacto crônico nas vias aéreas.

Como é a avaliação pré-operatória

Primeiramente, o veterinário realiza exame físico completo e coleta histórico detalhado. Em seguida, pode solicitar:

  • Exames de sangue (hemograma e perfil bioquímico);
  • Imagem (radiografias/fluoroscopia; em alguns casos, tomografia);
  • Avaliação cardiológica, quando indicado;
  • Endoscopia para visualizar palato, laringe e traqueia.

Além disso, o plano anestésico é cuidadosamente elaborado, pois braquicefálicos exigem manejo especializado da via aérea.

Quais são os procedimentos cirúrgicos?

De forma simplificada, duas correções principais são realizadas:

1) Rinoplastia (correção das narinas)

O cirurgião remove pequenas porções de tecido das asas nasais, ampliando a abertura. Consequentemente, a passagem do ar fica mais livre, reduzindo o esforço inspiratório.

2) Palatoplastia (encurtamento/afinamento do palato mole)

Nesta etapa, o palato é recortado e regularizado para que não obstrua a entrada da laringe. Assim, minimizam-se vibração, ruído e engasgos.

Eventualmente, podem ser necessárias correções complementares, como ressecção dos sacos laríngeos evertidos ou abordagem de alterações de laringe. Mesmo assim, o objetivo permanece o mesmo: abrir caminho para o ar com o menor trauma possível.

Como é o dia da cirurgia

  1. Jejum conforme orientação (geralmente 8–12 horas para sólidos).
  2. Internação e medicações pré-anestésicas.
  3. Anestesia geral com monitorização contínua.
  4. Procedimentos cirúrgicos (rinoplastia e palatoplastia).
  5. Recuperação supervisionada com controle rigoroso da via aérea.

Logo após, o Pug permanece em observação. Frequentemente, recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte, conforme evolução.

Riscos e possíveis complicações

Embora os benefícios sejam significativos, toda cirurgia envolve riscos. Entre eles:

  • Edema de vias aéreas e desconforto temporário;
  • Sangramento discreto nasal ou oral nas primeiras horas;
  • Náuseas e vômitos transitórios;
  • Raramente, complicações anestésicas e necessidade de internação mais prolongada.

Felizmente, com equipe experiente e hospital preparado, a taxa de sucesso é alta. Além disso, o cuidado no pós-operatório faz grande diferença no resultado final.

Pós-operatório: guia prático para casa

Ambiente e rotina

  • Mantenha o Pug em local calmo, fresco e arejado (evite calor e umidade).
  • Ofereça repouso nas primeiras 1–2 semanas e evite exercícios intensos.
  • Use colar elizabetano se indicado para impedir coçar o nariz.

Alimentação e hidratação

  • Nas primeiras 24–48 horas, siga a dieta recomendada (mole/úmida se indicado).
  • Divida a comida em porções menores e monitore a deglutição.
  • Ofereça água fresca à vontade; entretanto, evite esforço logo após comer.

Medicações

  • Administre analgésicos e anti-inflamatórios conforme prescrição.
  • Nunca medique por conta própria. Portanto, siga horários e doses à risca.

Sinais de alerta

  • Respiração muito ruidosa ou difícil em repouso;
  • Língua/ gengiva azuladas (cianose);
  • Vômitos persistentes, apatia intensa ou desmaio.

Diante de qualquer sinal grave, procure o hospital veterinário imediatamente.

Tempo de recuperação e resultados esperados

Em geral, o inchaço inicial diminui nos primeiros dias. Depois disso, os sinais de melhora aparecem progressivamente: menos roncos, maior disposição para caminhar e, acima de tudo, respiração mais silenciosa. Ainda assim, o resultado pleno costuma ser avaliado em 4–8 semanas.

Mitos e verdades

  • “Todo Pug precisa operar.”Não. A indicação é clínica e individual.
  • “O ronco é normal e inofensivo.” — Nem sempre. Muitas vezes, é sinal de obstrução e esforço.
  • “Depois da cirurgia, o Pug nunca mais ronca.” — A melhora é comum, porém pode ainda existir um ronco leve.
  • “É uma cirurgia simples.” — Exige equipe treinada e preparo específico para braquicefálicos.

Checklist rápido para tutores

  • Converse com um veterinário com experiência em BOAS;
  • Realize os exames pré-operatórios indicados;
  • Combine internação e monitorização adequadas;
  • Planeje repouso, medicação e ambiente para o pós-operatório;
  • Agende reavaliações para acompanhar a evolução.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual a idade ideal para operar?

Depende do caso. No entanto, muitos veterinários consideram a correção ainda jovem, quando os sinais já estão presentes, para evitar agravamentos da via aérea.

O Pug pode fazer exercícios depois?

Sim, mas gradualmente. Após liberação do veterinário, retome passeios curtos, evite horários quentes e monitore o cansaço.

Vai mudar a “carinha” do meu Pug?

A rinoplastia amplia o orifício nasal, porém mantém a expressão característica. O objetivo é funcional, não estético.

O convênio cobre?

Alguns planos de saúde pet oferecem cobertura parcial. Verifique as condições com antecedência.

Conclusão

Em suma, a cirurgia de nariz e palato pode transformar a vida do Pug, tornando a respiração mais eficiente e o dia a dia mais confortável. Ainda que haja riscos, a avaliação correta e os cuidados no pós aumentam a segurança e o sucesso. Portanto, se o seu Pug sofre com roncos e cansaço, converse com um veterinário de confiança e avalie a possibilidade da correção.